Itaú · Conceito de produto com IA · 2026

i.agora

Tornando o futuro financeiro visível o suficiente para agir no presente.

Conceito / protótipo de hackathon — não é um produto lançado pelo Itaú.

Testar protótipo navegável (abre em uma nova aba)

Versão refinada após o hackathon · dados financeiros simulados.

Durante a Batalha de agentes Itaú, nossa equipe multidisciplinar explorou como dados transacionais, cálculos financeiros determinísticos e IA generativa poderiam ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade financeira a passar do diagnóstico à ação.

Atuação
Product Designer / AI Experience Design
Equipe
Design · Dados · Engenharia · Negócios
Escopo
Enquadramento do problema, jornada, interação com IA, prototipação, sistema visual e métricas propostas
Entrega
Protótipo funcional com IA, experiência mobile e conceito de produto
Capa editorial com as marcas i.agora e Itaú ao lado de duas telas reais do protótipo refinado: o saldo negativo de Maria e o plano de janeiro
Telas reais do conceito refinado após o hackathon, compostas para este case. Os valores financeiros são simulados.Abrir protótipo navegável (abre em uma nova aba)

01 / Problema

O problema não era apenas a dívida. Era a vulnerabilidade financeira.

Começamos investigando a base sintética fornecida pelo desafio, esperando encontrar uma oportunidade focada em pessoas já endividadas ou inadimplentes. A análise mudou esse enquadramento.

Análise da base do hackathon Apenas a amostra do desafio · não representa a população total de clientes do Itaú

~1.000clientes

~98.000registros transacionais

30–34%da amostra apresentava sinais de vulnerabilidade financeira

A análise da equipe deslocou a atenção da inadimplência isolada para um padrão mais amplo: cerca de 30–34% da amostra do desafio apresentavam sinais de vulnerabilidade, como fechar um período perto de zero ou no negativo. Essa foi uma leitura direcional da base do hackathon — não uma estimativa populacional, um resultado estatisticamente significativo ou uma estatística oficial do Itaú.

A oportunidade não estava apenas em ajudar depois do aperto financeiro. Estava em agir antes que um padrão frágil se tornasse um problema maior.

Banco reativoOrientação financeira preventiva

02 / Insight

As pessoas veem o saldo. Mas não é fácil enxergar a trajetória.

Interfaces financeiras mostram bem quanto tenho, quanto gastei, minha fatura e minhas transações. Mas são menos eficientes para responder a uma pergunta mais difícil: “Se eu continuar assim, onde isso vai me levar?”

Nossa primeira hipótese de produto foi transformar intenções financeiras em futuros visíveis e comparáveis. O conceito reuniu três capacidades:

01

Entender

Interpretar renda, despesas recorrentes, compromissos e objetivos.

02

Antecipar

Projetar como uma decisão poderia afetar os próximos meses.

03

Orientar

Explicar cenários e trade-offs sem decidir pela pessoa.

03 / Disciplina de escopo

A primeira ideia era mais ampla do que o problema precisava.

Nas primeiras horas, exploramos múltiplos futuros, objetivos, personalização, gamificação, produtos financeiros, recomendações, rewards e moedas, diferentes agentes e acompanhamento contínuo. Poderia se tornar um ecossistema rico, mas era escopo demais para o tempo limitado do desafio.

Ecossistema amploUma pessoa. Um problema. Um plano.

Não foi uma direção fracassada, e sim um aprendizado sobre disciplina de escopo. Saímos da tentativa de explicar um sistema financeiro inteiro para contar uma única história coerente.

04 / Jornada

Em vez de explicar um sistema financeiro, contamos uma história.

Maria é a personagem do protótipo, não uma participante real. As seis etapas conectam um presente difícil a uma próxima decisão mais concreta.

  1. 01

    Realidade

    Maria abre o app e encontra a conta no negativo. Ela não precisa de outro dashboard para dizer que há um problema; já consegue percebê-lo.

  2. 02

    Conversa

    Ela conversa com a i.ai, a experiência conversacional do banco. Ao reconhecer seu contexto financeiro, a experiência apresenta o i.agora como uma capacidade especializada — não como outro aplicativo. Integrá-lo à conversa existente reduz a fragmentação e evita criar mais um destino para aprender.

  3. 03

    Contexto

    O histórico financeiro disponível ajuda o conceito a entender renda, gastos recorrentes, compromissos, categorias relevantes, margem financeira e comportamento recente.

  4. 04

    Plano

    Em vez de dizer “gaste menos”, o agente propõe valores e limites em um plano mensurável. Maria pode aceitá-los ou ajustá-los. A referência 50 / 30 / 20 é adaptada ao seu cenário — não é uma regra universal nem uma recomendação financeira definitiva.

  5. 05

    Cartão opcional para compartilhar

    Depois de aceitar o plano, Maria vê um cartão opcional para marcar o momento. Ele não exibe valores financeiros; o agente não toma decisões nem movimenta dinheiro por ela.

  6. 06

    Acompanhamento de janeiro

    O acompanhamento mostra uma reserva projetada de R$ 620 com base no plano e informa explicitamente que ainda não há progresso confirmado nos compromissos de janeiro. A reserva é uma projeção, não um resultado alcançado, e nenhuma transferência é feita automaticamente.

05 / Protótipo

Do saldo negativo a um próximo passo que ela consegue visualizar.

O protótipo mobile deixa a sequência clara: contexto, conversa, diagnóstico, plano, compromisso e um futuro possível. São telas de um conceito, não evidência de um serviço lançado.

01 / Realidade

Começar pelo momento que importa.

Maria vê a situação da conta em contexto. A experiência começa onde a preocupação dela já está, sem adicionar mais um dashboard-resumo.

Tela inicial do conceito i.agora mostrando o contexto da conta de Maria e o saldo negativo
O contexto da conta inicia a história de Maria.

02 / Conversa · 03 / Diagnóstico

Passar de uma pergunta a um cenário mais claro.

Na conversa existente com a i.ai, o i.agora surge como uma capacidade focada. O diagnóstico reúne o contexto financeiro que pode orientar um plano, sem apresentar a IA como uma autoridade independente.

Conversa com a i.ai apresentando a capacidade de orientação financeira do i.agora
A conversa apresenta a capacidade especializada.
Diagnóstico do conceito i.agora que resume o contexto financeiro de Maria
Um diagnóstico contextual e explicável.

04 / Plano

Tornar “gaste menos” específico o suficiente para considerar.

A referência 50 / 30 / 20 é adaptada ao cenário da personagem como proposta, não como fórmula universal. Maria pode revisar os valores sugeridos e escolher entre aceitar ou ajustar; os números são simulados, não transações nem gastos confirmados.

Plano de janeiro do i.agora comparando os gastos recentes de Maria com limites propostos por categoria
Uma proposta de plano baseada no cenário de Maria.
Valores propostos pelo i.agora para janeiro, incluindo uma reserva projetada de R$ 620, com opções para aceitar o plano ou ajustar os valores
Valores propostos e a opção de aceitar ou ajustar.

05 / Cartão opcional · 06 / Acompanhamento de janeiro

Marcar a escolha e mostrar o que ainda é projeção.

O cartão para compartilhar aparece depois que o plano é aceito e não contém valores financeiros. O acompanhamento de janeiro mostra uma reserva projetada de R$ 620, mas ainda não há progresso confirmado nos compromissos. Nenhuma transferência é feita automaticamente.

Cartão opcional para compartilhar exibido depois que Maria aceita o plano; traz uma mensagem de incentivo, sem valores financeiros
Um cartão opcional sem valores, exibido após aceitar o plano.
Acompanhamento de janeiro mostrando uma reserva projetada de R$ 620 e informando que ainda não há progresso confirmado nos compromissos de janeiro
Reserva projetada de R$ 620; progresso de janeiro ainda não confirmado.

06 / Minha contribuição

Meu papel foi transformar o conceito em uma experiência compreensível.

Trabalhei no enquadramento do problema e na proposta de experiência, construí a jornada e a narrativa de interação e desenhei a experiência do i.agora. Também colaborei com o time na definição de métricas de produto, na conexão conceitual entre i.ai e i.agora e na exploração de prompts e comportamentos conversacionais.

Para acelerar a prototipação, criei componentes e tokens no Figma baseados na experiência existente do app, montei uma biblioteca visual, iterei no protótipo e explorei gamificação. Depois do período oficial do desafio, refinei a experiência e o protótipo.

O trabalho foi colaborativo. Interpretação e análise dos dados, modelagem de dados, backend, arquitetura completa e infraestrutura GCP eram responsabilidades de outras especialidades da equipe multidisciplinar; trabalhei em parceria com essas pessoas, sem atribuir essas entregas individualmente a mim.

07 / IA no produto e no processo

A IA não foi adicionada no final. Ela mudou como projetamos e construímos a experiência.

Dentro do produto

O conceito separou a responsabilidade pelos números da explicação conversacional. Os dados transacionais alimentam uma camada de contexto financeiro; cálculos determinísticos e simulações produzem os números; um LLM interpreta o contexto e apoia a conversa; a interface transforma isso em uma explicação acionável.

  1. Dados transacionais
  2. Camada de contexto financeiro
  3. Cálculos determinísticos / simulação
  4. Interpretação e conversa com LLM
  5. Interface generativa / explicação acionável

Cálculos financeiros não devem depender de um LLM gerando números. Na arquitetura proposta, cálculos e regras pertencem a camadas determinísticas. A IA generativa fica principalmente com interpretação, contextualização, conversa, explicação e adaptação da linguagem. Essa separação busca reduzir o risco de alucinação em um contexto de alta confiança; é um princípio arquitetural do conceito, não uma afirmação de validação em produção.

No processo de design

A IA acelerou a exploração de conceitos, a estruturação de prompts, variações conversacionais, prototipação, implementação, análise crítica dos fluxos, iterações de front-end e o refinamento pós-hackathon. Ela encurtou a distância entre ideia, interface e protótipo funcional — sem substituir pesquisa, julgamento de design ou validação.

08 / Confiança

Projetar para um contexto de alta confiança

Estes foram princípios considerados ao desenhar o conceito — não uma certificação, aprovação jurídica ou afirmação de conformidade regulatória.

  • Não usar medo, culpa ou vergonha como persuasão.
  • Apresentar projeções como hipóteses, nunca garantias.
  • Deixar claras as premissas e simulações.
  • Nunca decidir pela pessoa cliente.
  • Não oferecer recomendações financeiras definitivas.
  • Separar cálculos determinísticos da linguagem generativa.
  • Promover educação financeira e autonomia.
  • Apresentar informações de produtos apenas quando apoiadas por fontes autorizadas.
  • Permitir encaminhamento para atendimento humano quando necessário.

Consideramos princípios brasileiros de educação financeira e comunicação responsável ao definir o comportamento do agente.

09 / Hipóteses

Como mediríamos o sucesso

Estas são métricas propostas durante o desafio — não resultados alcançados. O conceito não foi para produção, portanto não há resultados medidos de clientes ou de negócio a relatar.

  • Atingimento de metasPercentual de metas financeiras alcançadas dentro do prazo definido.
  • Qualidade das respostasMeta proposta de >80% de sucesso em relevância, clareza e contexto.
  • Taxa de açãoPercentual de usuários que realizariam alguma ação após uma simulação.
  • Aderência ao planoEvolução da pessoa em relação ao plano acordado.
  • Relevância de produtoAderência entre perfil, contexto e qualquer produto apresentado.
  • ConversãoConversão em produtos somente quando eles realmente fizerem sentido na jornada.

Valor para o cliente

Mais compreensão, capacidade de agir e evolução financeira.

Valor para o negócio

Relacionamento mais relevante e oportunidades contextuais de apresentar produtos.

A oportunidade de negócio vem depois do valor para o cliente — não no lugar dele.

10 / Retrospectiva

A maior lição não foi sobre IA. Foi sobre escopo.

Como grupo, exploramos um número enorme de possibilidades em pouquíssimo tempo — e tentamos desenvolver muitas delas ao mesmo tempo.

Desenhamos um ecossistema quando o desafio provavelmente precisava de um único momento excepcionalmente claro.

O que funcionou

  • Um problema relevante que emergiu da base do desafio.
  • Colaboração multidisciplinar e proximidade entre Design, Dados e Engenharia.
  • Prototipação rápida e protótipo funcional.
  • Uso consciente de IA.
  • Uma linguagem visual próxima ao produto existente.
  • Transformar dados abstratos em uma experiência compreensível.

O que eu faria diferente

  • Reduziria o escopo mais cedo e escolheria uma hipótese central.
  • Definiria métricas de sucesso antes da fase final.
  • Cortaria funcionalidades paralelas e protegeria a narrativa da apresentação.
  • Priorizaria clareza de valor em vez da quantidade de possibilidades.

Menos teria tornado a ideia mais forte.

Esse aprendizado orientou diretamente a versão que refinei depois do hackathon.

11 / Depois do desafio

Entrega do hackathon refinamento posterior

Depois do evento, refinei individualmente o protótipo para mostrar como a experiência poderia funcionar com mais tempo de design. Esta é uma iteração conceitual posterior — não representa a versão exata avaliada na competição.

  • Remove distrações.
  • Fortalece a história de Maria.
  • Conecta saldo negativo → conversa → diagnóstico → plano → compromisso → futuro.
  • Melhora hierarquia e ritmo.
  • Reduz explicações desnecessárias.
  • Deixa o propósito do i.agora mais evidente.

12 / O que fica

O futuro não precisa ser previsível para se tornar útil.

O i.agora começou como uma exploração de simulação financeira e, aos poucos, se tornou algo mais simples: uma forma de transformar consequências financeiras abstratas em um próximo passo que alguém consiga compreender.

O projeto reforçou algo em que acredito cada vez mais sobre produtos com IA: inteligência, sozinha, não é a experiência. O desafio de design é decidir o que o sistema deve saber, o que deve calcular, o que deve explicar — e quando deve simplesmente ajudar a pessoa a decidir.

Tornar o complexo claro o suficiente para agir.

Testar protótipo navegável (abre em uma nova aba)